Calor extremo: o guia prático para proteger as famílias

Calor extremo: o guia prático para proteger as famílias

Junho e julho já deixaram claro o que este verão nos reserva. Portugal atravessou duas ondas de calor seguidas que, segundo a Direção-Geral da Saúde, provocaram cerca de 123 óbitos em excesso — e há mais subidas de temperatura à vista, com Lisboa a poder chegar aos 40 ºC. No dia 10 de julho, a DGS publicou três novos guias para proteger os grupos mais vulneráveis. E há um nome que aparece sempre no topo dessa lista: as pessoas idosas.

Se cuida de um pai, de uma mãe ou de um avô, este é o momento de estar mais atento. O calor não afeta toda a gente da mesma maneira, e quem tem mais idade corre riscos que, muitas vezes, nem dá por eles a chegar.

Porque é que o calor é tão perigoso para os idosos?

Com a idade, o corpo perde parte da capacidade de regular a própria temperatura. E há um detalhe que faz toda a diferença: a sensação de sede diminui. Muitos idosos já estão desidratados sem sentir vontade nenhuma de beber água. Se a isto juntarmos doenças crónicas — do coração, dos rins, diabetes — e medicação que interfere com a hidratação, percebe-se porque é que a DGS coloca as pessoas idosas, as pessoas com deficiência e os doentes crónicos entre os mais suscetíveis ao calor extremo.

Não é um alarme exagerado. Só na primeira semana de julho, as chamadas para o SNS 24 aumentaram cerca de 33% por causa do calor.

Sinais de alerta a que deve estar atento

Vale a pena saber distinguir um mal-estar ligeiro de uma situação que exige ajuda médica imediata.

Os primeiros sinais de que o calor está a afetar a pessoa costumam ser tonturas, fraqueza, dores de cabeça, alguma desorientação ou cãibras. Se aparecerem, leve a pessoa para um local fresco, dê-lhe água e não a deixe sozinha.

Já os sinais graves pedem uma reação rápida: suores intensos (ou, pelo contrário, pele quente e seca), febre, vómitos ou náuseas, pulsação acelerada ou fraca e confusão. Nestes casos, contacte de imediato o SNS 24, através do 808 24 24 24, ou ligue para o 112 em caso de emergência.

Como proteger um idoso durante uma onda de calor

A boa notícia é que a maior parte dos riscos evita-se com cuidados simples. Estas são as medidas que a DGS reforça — e que qualquer família pode pôr em prática:

  • Água sempre à mão. A referência da DGS é cerca de 1,5 litros por dia, mas o mais importante é a regularidade: pouca água de cada vez, várias vezes ao longo do dia. Ofereça-lhe sem esperar que seja a pessoa a pedir.

  • Evitar a rua nas horas de maior calor, sobretudo entre as 11h e as 17h.

  • Ambientes frescos. Garanta que a pessoa passa duas a três horas por dia num espaço fresco ou climatizado. Sem ar condicionado, corra os estores e as persianas nas horas de mais calor e, se der, faça um passeio a um sítio fresco — um centro comercial ou uma biblioteca servem perfeitamente.

  • Refeições leves e frescas. Sopas frias, fruta e legumes ricos em água. Deixe de lado as refeições pesadas, o álcool e as bebidas açucaradas ou energéticas, que favorecem a desidratação.

  • Roupa leve, larga e de algodão.

  • Atenção à conservação dos alimentos. Com o calor, os alimentos estragam-se mais depressa. Mantenha os perecíveis abaixo dos 5 ºC e consuma as sobras no prazo de dois a três dias.

  • Nunca deixe a pessoa dentro de um carro ao sol, nem por poucos minutos.

E se o idoso vive sozinho?

Aqui o risco multiplica-se. A própria DGS recomenda que se contacte e acompanhe os idosos que vivem isolados, garantindo que estão hidratados e em ambientes frescos. O problema é que nem sempre há um familiar por perto para o fazer todos os dias.

Uma chamada de manhã e outra ao fim da tarde ajudam, claro. Mas não substituem a presença de alguém que confirme, no local, se a casa está fresca, se a pessoa bebeu água e se está bem-disposta. É a diferença entre achar que está tudo bem e saber que está.

Como a Boa Casa Boa Vida pode ajudar nesta altura

É precisamente aqui que o apoio domiciliário faz diferença. Uma cuidadora que visita a casa todos os dias assegura o essencial que o verão exige: hidratação regular, um olhar atento aos primeiros sinais de alerta e uma casa preparada para as horas mais quentes. Para quem vive longe dos pais, é a tranquilidade de saber que há sempre alguém a confirmar que está tudo em ordem.

Na nossa loja em Alvalade — e também online — encontra os produtos de apoio que ajudam a passar o verão com mais conforto e segurança. E, para os dias em que é mesmo melhor o idoso não sair de casa, o nosso serviço de assistente pessoal trata das idas à farmácia e de outras deslocações, para que ninguém tenha de enfrentar o calor da rua sem necessidade.


Perguntas frequentes

Quanta água deve um idoso beber por dia no verão?

A referência da DGS é cerca de 1,5 litros por dia, mas mais importante do que o número exato é beber com regularidade. Como a sensação de sede diminui com a idade, o ideal é oferecer água em pequenas quantidades ao longo do dia, sem esperar que a pessoa a peça.

A que horas se deve evitar o calor?

Entre as 11h e as 17h, que são as horas de maior calor. Nesse período, o idoso deve permanecer em casa, num ambiente fresco, com os estores corridos.

Quais são os sinais de um golpe de calor?

Os primeiros sinais incluem tonturas, fraqueza, dores de cabeça, desorientação e cãibras. Em casos mais graves podem surgir febre, vómitos e pulsação acelerada. Perante sinais graves, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o 112.

O meu familiar nunca tem sede. É normal?

Sim. Com a idade, a sensação de sede reduz-se e a pessoa pode estar desidratada sem se aperceber. Por isso é tão importante oferecer água com regularidade, em vez de esperar que ela peça.


O calor deste verão é real e não vai abrandar tão cedo. Mas, com atenção e alguns gestos simples, protege-se quem mais precisa. E se sentir que uma ajuda extra faria diferença em casa, fale connosco — estamos aqui para cuidar de quem é seu.

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